Manual do cuidador 2022/23

Manual do cuidador  “idosos com e sem dependência”

Manual do cuidador, quando alguém próximo de nós adoece, a adaptação a esta nova realidade é certamente difícil.

A presença de um doente, com necessidades permanentes, no domicílio, altera inesperadamente as rotinas do cuidador e as suas prioridades.

Perante o esforço que lhe é exigido, é no entanto normal que o cuidador por vezes se sinta incapaz para lidar com a situação, se sinta exausto, física e emocionalmente, se sinta sozinho e com medos.

1.1 Cuide de si

Assim quando começa a prestar cuidados ao dependente, pode “esquecer-se” temporariamente dos seus familiares e até de si próprio.

Pense que se não estiver bem por conseguinte não poderá prestar os cuidados que o doente necessita. Manual do cuidador em seguida deixamos alguns conselhos:

  • Em primeiro lugar reserve algum tempo para a prática de exercício de físico;

  • Fale dos seus sentimentos e preocupações com alguém da sua confiança por certo vai ajudar;

  • Nesse sentido peça e aceite ajuda de outras pessoas;

  • Solicite a colaboração de familiares e/ou amigos sempre que se sentir sobrecarregado/a ou cansado/a;

  • Descubra formas de desabafar e libertar a tensão. 

1.2 Comunique com o dependente

Comunicar não é apenas falar. Estar presente e por outro lado saber ouvir é tão ou mais importante que falar.

Naquelas situações em que o doente tem dificuldade em comunicar verbalmente devemos estar atentos à sua linguagem corporal: expressão do rosto, gestos e tom de voz.

Nunca faça promessas que não possa cumprir, não dê falsas esperanças, não faça julgamentos do que o doente diz ou faz e tente não mudar de assunto para ele não se sentir desvalorizado.

O dependente necessita de afeto e compreensão: eventualmente o toque, o abraço, o segurar da mão e acariciar, são formas de o demonstrar.

2. Ambiente Manual do cuidador

O local mais importante para o doente é onde este permanece a maior parte do tempo e onde lhe são prestados os cuidados, sendo essencial acima de tudo que seja um lugar seguro e confortável:

  • Deve ser cómodo, arejado e espaçoso;

  • Sem móveis, tapetes ou objetos que possam ser obstáculos para a prestação de cuidados;

  • Com uma zona onde o doente possa ter os seus objetos pessoais;

  • Deve haver uma mesa próxima do doente, que este consiga alcançar, permitindo-lhe alguma autonomia;

  • Ter junto do doente uma campainha ou sineta para que este possa pedir auxílio.

3. Higiene

Antes de mais nada a higiene é um dos fatores mais importantes para o conforto e qualidade de vida de uma pessoa.

É importante que o cuidador avalie o grau de dependência do doente em relação à higiene pessoal, tendo em conta a sua segurança.

O cuidador deve auxiliar o doente apenas o necessário, estimulando ao máximo a sua participação.

3.1 Higiene oral

A higiene oral é uma parte fundamental nos cuidados de higiene, não só mantém o doente mais confortável como:

  • Previne infeções, cáries e aftas;

  • Elimina restos de alimentos e microrganismos;

  • Estimula a circulação do sangue;

  • Evita o mau hálito.

Quando realizar?

  • Ao acordar pela manhã, após as refeições e antes de dormir;

  • Deve ser realizada sempre, tenha o doente dentes naturais ou placa e mesmo que não se alimente pela boca (uso de sonda).

Qual o material necessário?

  • Toalha de rosto;

  • Pasta dentífrica ou solução antisséptica e fita dentária;

  • Escova de dentes ou espátula tipo “palito de sorvete“ envolta em gaze;

  • Copo com água;

  • Recipiente para desprezar água suja;

  • Hidratante para os lábios (vaselina líquida ou batom de cieiro);

  • Escova de unhas sem uso anterior para limpeza de próteses ou coroa.

Procedimento:

  • Ajude o doente a sentar-se ou a levantar a cabeça (nunca efetue a higiene oral com o doente deitado, pois existe o risco de sufocar);

  • Coloque uma toalha seca por baixo do queixo;

  • Dê um pouco de água ao doente para humedecer a boca;

  • Utilize a escova de dentes com dentífrico e escove suavemente os dentes, bochechas, gengivas e língua;

  • •impe com fita dentária nos espaços entre os dentes, onde a escova não chega;

  • Se o doente usar prótese dentária (dentadura), retire-a e lave com água morna e pasta de dentes ou produto próprio. Não use água muito quente pois pode deformar a dentadura. Se o doente apresentar feridas na boca, colocar a dentadura apenas na hora das refeições;

  • Dê um pouco de água fria ao doente para bochechar e cuspir para a bacia;

  • Se o doente estiver inconsciente passe suavemente nos dentes, gengivas e língua uma compressa embebida em elixir;

  • Coloque batom de cieiro ou vaselina nos lábios do doente. Se o utente morder a escova, não tente retirá-la à força, o maxilar acabará por descontrair. Evite elixires com álcool.

3.2 O banho manual do cuidador

O banho é um dos aspetos mais importantes no cuidar da higiene uma vez que proporciona conforto físico e emocional e reforça a relação entre doente e cuidador.

Contudo um bom banho evita as irritações de pele e previne o corpo contra o aparecimento de infeções futuras. Se o movimento do corpo causar dor, pode-se administrar um analgésico ao doente 30 minutos antes do banho.

Quando realizar?

  • O banho deve ser diário, a higiene íntima e das mãos deve ser realizada sempre que necessário;

  • •ode ser dado a qualquer hora do dia, no entanto de manhã é quando odoente tem mais energia. Pode-se também escolher os horários mais quentes do dia e respeitar sempre a preferência do doente.

Cuidados especiais:

  • Utilizar um sabonete neutro que deve ser completamente removido;

  • Fazer movimentos suaves e secar todo o corpo com atenção especial para as pregas do corpo (mamas, axilas e entre os dedos);

  • Secar bem os cabelos, usando secador quando necessário;

  • Observar e avaliar o estado da pele, cabelo e pelos;

  • No final do banho massajar todo o corpo com creme hidratante com movimentos longos e suaves para ajudar a ativar a circulação.

Deve incidir nas zonas de maior pressão (ombros, cotovelos, nádegas, ancas e calcanhares).

Onde realizar?

O cuidador deve optar sempre pelo banho de chuveiro deixando o banho no leito apenas para os doentes impossibilitados de sair da cama.

Banho de chuveiro:

  • Dar muita atenção à deslocação do doente até à casa de banho, uma vez que podem ser necessárias algumas adaptações do ambiente para prevenir quedas e acidentes no percurso ou durante o banho;

  • Caso haja dificuldade na mobilidade, usar uma cadeira para apoio durante o banho;

  • Se o doente permanecer muitas horas deitado, é importante deixá-lo sentado por alguns minutos antes de o levar ao quarto de banho;

  • Ajudar sempre o doente a entrar e a sair do chuveiro/banheira.

Banho no leito:

  • Explicar sempre ao doente o procedimento que se vai realizar. Antes de iniciar, por conseguinte oferecer sempre a possibilidade de fazer as suas necessidades fisiológicas (quando existe controlo);

  • Por outro lado elevar a cama, se possível, para diminuir o esforço nas suas costas;

  • Ter em conta a privacidade do utente, usando um lençol para o cobrir, ou seja destapando e lavando uma parte de cada vez;

Preparar o seguinte material:

  • Dois recipientes com água morna, um deles com sabonete ou gel de banho dermoprotetor e com pH neutro;

  • Esponja;

  • Toalhas;

  • Creme hidratante;

  • Roupa de dormir;

  • Fralda se necessário;

  • Escova de dentes macia, copo e bacia;

  • Pasta dentífrica e elixir;

  • Pente ou escova do cabelo;

  • Saco plástico;

  • Forro de plástico e de pano para proteger a cama.

É importante manter a temperatura agradável no quarto e assegurar-se que não há correntes de ar.Assim como lave as mãos antes de prestar qualquer cuidado.

Procedimento:

  • Inicie o banho pelo rosto (sem esquecer olhos e orelhas) e prossiga até aos pés (lavar o cabelo sempre que necessário);

  • Lave uma parte do corpo de cada vez, destapando apenas essa zona;

  • Seque o corpo à medida que vai lavando, com especial atenção às pregas da pele (mamas, axilas e entre os dedos);

  • Ajude o doente a voltar-se de lado para lhe lavar as costas;

  • A zona genital e anal deve ser lavada no fim do banho, da frente para trás e, se o doente for homem, assim como puxe cuidadosamente a pele que cobre o pénis, lave e seque.

Troque a água das bacias sempre que esta estiver suja ou fria, deixando o doente então numa posição confortável e segura.

Por fim vista o doente, e coloque-o numa posição confortável.

Assim quando não for possível o banho completo lave pelo menos a cara, as mãos, as axilas e os genitais do doente diariamente.

3.3 Cuidados a ter com a sonda vesical manual do cuidador

Os rins produzem a urina que se acumula na bexiga, sendo esvaziada para o exterior através de um canal chamado uretra.

A sonda vesical é um tubo ou sistema de tubos utilizado para esvaziar e recolher a urina da bexiga. É utilizada quando o doente não consegue urinar, porque a saída está obstruída ou porque existe uma alteração nos nervos que controlam o esvaziamento da bexiga.

No entanto também é utilizada caso ocorram perdas de urina que determinam problemas graves de higiene.

Por fim, podem também ser usadas para introduzir medicamentos na bexiga, obter amostras de urina ou controlar a quantidade de urina produzida.

A sonda é introduzida, após a aplicação de um gel lubrificante, pela uretra até àbexiga, e aí é insuflado um balão existente na ponta do tubo para que este não saia.

As sondas vesicais de longa duração necessitam de alguns cuidados a ter em conta sobretudo para prevenir a infeção, manter a permeabilidade, prevenir a ocorrência de traumatismo dos tecidos e formação de úlceras e providenciar o conforto do doente.

Cuidados a ter com a sonda vesical manual do cuidador

  • O doente deve beber pelo menos 2L de água diários;

  • O cuidador deve lavar as mãos antes e depois de manipular a sonda;

  • A sonda vesical, o saco coletor e os genitais devem ser mantidos limpos, para evitar infeções;

  • Sempre que lavar os genitais do doente, o tubo visível da sonda vesical deve também ser lavado com água e sabão;

  • Evitar puxar ou empurrar a sonda vesical, para não causar feridas;

  • O saco coletor deve ser colocado abaixo do nível da bexiga, sem colocar no chão;

  • O saco coletor com válvula deve ser retirado unicamente para seres vaziado, sendo esvaziado através desta. Deve ser usado um avental e luvas de proteção;

  • O saco coletor sem válvula deve ser substituído quando estiver cheio;

  • O período máximo de permanência do saco coletor deverão ser 7 dias;

  • Quando trocar o saco coletor deve desinfetar a conexão da sonda com álcool a 70º

Quando contactar a equipa de saúde?

  • Na presença de febre, urina espessa ou turva ou com cheiro intenso;

  • Se apresentar inflamação da uretra;

  • Se observar sangue dentro ou fora da sonda;

  • Quando não urinar ou o volume de urina diminuir acentuadamente apesar da ingestão abundante de líquidos;

  • Se perder urina em grande quantidade por fora da sonda;

  • Na presença de dor na bexiga.

3.4 Os lençóis e roupa da cama

Para quem passa longos períodos de tempo numa cama, é ainda mais importante que esta esteja sempre limpa e cómoda. Utilize lençóis 100% algodão – evitam a transpiração do doente e podem ser lavados a altas temperaturas.

Ao passo que no verão, coloque uma manta de algodão leve e, no inverno, um cobertor de lã mais pesado.

Com efeito se necessário, mude diariamente os lençóis da cama. Se não, mantenha-os sempre bem esticados e livres de migalhas ou outros vestígios de comida.

Às vezes os lençóis enrugados são desconfortáveis, podem restringir a circulação e contribuir para a formação de feridas.

O doente deve sair da cama para que esta possa ser mudada, permitindo-lhe também realizar algum exercício e distrair-se. Caso não seja possível sair da cama, mudar os lençóis requererá alguma destreza.

Se a cama tiver rodas certifique-se que está travada e coloque a cabeceira na horizontal (se isso não prejudicar o doente).

Muda da cama:

  • Retire a almofada e o lençol de cima;

  • Assim com uma mão no braço ou ombro e outra na perna dobrada, rode o doente para o bordo da cama, puxando-o na sua direção;

  • Certifique-se que o doente está seguro e numa posição fixa;

  • Assim retire o lençol de baixo e liberte-o até às costas do doente;

  • Em seguida, coloque o lençol limpo, aproximando-o das costas do doente;

  • Então desloque o doente para o outro lado da cama, utilizando a mesma técnica;

  • Retire o lençol sujo e estique o lençol de baixo completamente;

  • Mude a fronha da almofada;

  • Posicione o doente novamente e desse modo certifique-se que está confortável;

  • Considere sempre o doente como um adulto válido, que possui sentimentos, que pensa, que ri e que chora, ou seja que tem necessidades e vontades;

  • Em suma disponha de tempo para ele;

  • Encoraje-o a falar, principalmente não o censure;

  • Seja positivo e otimista, seja como for viva a vida e acredite 100% nela;

  • Estimule-o a participar nas atividades familiares e no seu autocuidado;

  • Primeiramente proporcione o seu conforto e bem-estar;

  • Seja corajoso/a, forte e determinado/a, pois assim servirá de exemplo para ele;

  • No entanto reserve ainda algum tempo para si e preocupe-se com a sua saúde.

Deste modo deixamos aqui neste Manual do cuidador algumas dicas ainda assim como forma de dar um contributo na sua árdua tarefa, pois temos bem presente como quanto assim é, forca e muito amor pois um dia será compensada de certo.